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PERCEPÇÕES 

Realizadas durante meus primeiros anos de pesquisa, elas apresentam corpos suspensos diante de arquiteturas quase vazias, aproximando-se de portas, atravessando espaços de espera ou confrontando abismos. Mais do que representar um lugar, essas construções funcionam como estados de passagem. Interessa-me o instante em que algo está prestes a acontecer, mas permanece interrompido, como se o tempo respirasse antes da transformação.

Na época, minha atenção estava voltada às formas de vulnerabilidade e às maneiras pelas quais determinados corpos são conduzidos, limitados ou deslocados no mundo. A água ainda não aparecia de forma explícita, mas a ausência já ocupava um lugar central. Hoje reconheço e percebo que esse vazio antecipava questões que mais tarde encontrariam na água, e sobretudo em sua escassez, um novo campo de investigação.

Antes de pensar rios, contaminação ou crise ambiental, eu já buscava compreender aquilo que falta para que a vida possa existir plenamente. 

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