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HIDROMITOLOGIAS

Em Hidromitologias, parto dessa permanência para investigar como as narrativas que aproximaram mulheres e água continuam atravessando a nossa experiência do presente. Nunca enxerguei os mitos como histórias encerradas no passado.

Eles continuam circulando entre nós, moldando gestos, crenças e organizando modos de imaginar, habitar e exercer poder sobre corpos e territórios, bem como nossas relações com a natureza e a feminilidade.

Figuras femininas, peixes, embarcações, velas, rendas e porcelanas reaparecem como vestígios de diferentes tradições, atravessando mitologias, práticas religiosas, memórias familiares e saberes populares. A série reúne fragmentos de diferentes tradições populares. Esses elementos são deslocados de seus contextos originais e reunidos em novas constelações visuais, onde passado e presente permanecem em diálogo.

Inspirada pelas reflexões do hidrofeminismo, a série parte da água não apenas como elemento natural, mas como matéria de memória, relação e transformação. Ao revisitar esses imaginários, as obras perguntam de que maneira as mitologias religiosas continuam moldando nossa relação com o feminino, com a natureza e com as formas de cuidado, revelando como as narrativas que aproximaram mulheres e água permanecem ativas nas estruturas sociais, políticas e afetivas do presente. Interessa-me compreender como a aproximação entre mulheres e água foi construída, reinterpretada e apropriada ao longo da história, ora como potência, ora como instrumento de controle. 

Os mitos, nesse sentido, continuam organizando afetos, distribuindo papéis e influenciando a maneira como pensamos o cuidado, a natureza e o feminino. Faço uso dos mitos enquanto representam algo cíclico e eterno para examinar como as histórias que perpetuaram a conexão entre água e mulheres navegam em nosso presente.

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