NATUREZA SERVIDA
Sempre me chamou a atenção a facilidade com que transformamos a natureza em mercadoria, convertendo tudo aquilo que sustenta a vida em um produto a ser extraído, comprado, servido e descartado. Essa lógica de exploração não termina no ato do consumo. Ela altera ecossistemas, produz resíduos persistentes e faz com que aquilo que descartamos retorne continuamente à própria vida, dissolvendo as fronteiras entre natureza e corpo.
As obras desta série nascem dessa inquietação. A presença quase invisível de resíduos industriais, microplásticos e outros contaminantes que percorrem rios, mares e cadeias alimentares até retornarem ao corpo humano atravessa esse conjunto de imagens. Em vez de representar a paisagem ou o desastre de forma espetacular, os trabalhos se concentram em seus vestígios cotidianos, revelando a história daquilo que foi explorado em nome do consumo. Interessa-me mostrar como a poluição se incorpora silenciosamente àquilo que comemos e bebemos, tornando visível uma contaminação que, embora muitas vezes imperceptível, já faz parte da nossa experiência cotidiana.

