NATUREZA MORTA
Na série Natureza Morta, Taty retorna a um dos gêneros mais tradicionais da história da pintura para deslocá-lo. Se a natureza-morta historicamente organizou flores, frutos, alimentos e objetos para serem contemplados, aqui encontra-se em uma condição ambígua de sufocamento.
Flores permanecem envolvidas por sacos plásticos, como se conservar e impedir a respiração fossem, por um instante, o mesmo gesto. O plástico representada a cadeia extrativista ao mesmo tempo, códigos de barras retirados de embalagens de agrotóxicos comercializados no Brasil atravessam as composições, introduzindo no campo pictórico uma linguagem associada à circulação de mercadorias.
Cada uma das nove pinturas recebe como título o nome de um princípio ativo presente em agrotóxicos. Ao aproximar flores, plástico, petróleo e agrotóxicos da história de exploração dos corpos femininos, Taty Arruda propõe uma reflexão sobre violências que, de tão incorporadas ao cotidiano, muitas vezes deixam de ser percebidas como violência.








